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Ponto de Vista
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Crescimento Profissional

Sucesso é igual a preparo ...


 
Prof. Menegatti
é conferencista em Vendas, Motivação e Liderança. Entre seus produtos estão o livro " Desperte seu potencial emocional", o CD motivacional " Marcado para Vencer", e o DVD " Campeão de Vendas". menegatti@menegatti.srv.br www.menegatti.srv.br

A Pesquisa - O livro "Outliers - The Story of Success" ("Fora de Série", Malcolm Gladwell, ed. Sextante) mostra uma pesquisa realizada numa das maiores academias de música do mundo, a Academia de Berlim. Dois psicólogos, com a ajuda dos professores, formaram três grupos com violinistas. No primeiro ficaram as estrelas, aqueles alunos que tinham potencial para se tomar solistas de nível internacional. No segundo, foram reunidos aqueles considerados apenas "bons".

No terceiro estavam os estudantes que dificilmente chegariam a tocar como profissionais, mas que pretendiam se tornar professores de música. Todos eles tiveram que responder a seguinte pergunta: ao longo da sua carreira, quantas horas você praticou? Todos os violinistas começaram a tocar mais ou menos na mesma época, em torno dos 5 anos de idade.

Nessa fase inicial, praticavam por um tempo quase idêntico, duas a três horas por semana. Por volta dos oito anos, diferenças reais começaram a surgir.

Os alunos que acabariam se revelando os melhores de suas turmas passaram a se dedicar mais do que todos os outros: seis horas por semana aos 9 anos, oito horas por semana aos 12 anos, 16 horas por semana aos 14 anos. Aos 20 anos, estavam tocando bem mais do que 30 horas semanais, de forma compenetrada e com o objetivo de melhorar sempre. Nessa idade, os melhores músicos, os do primeiro grupo, haviam totalizado mais de 10 mil horas de treinamento em sua vida; os meramente "bons", 8 mil horas; e os futuros professores de música, pouco mais de 4 mil horas. Essa pesquisa indicou que, quando uma pessoa tem capacidade suficiente para ingressar numa escola de música de alto nível, o que a distingue dos demais estudantes é seu grau de esforço. E mais: quem está no alto não apenas se dedica mais do que os outros, dedica-se muito mais.

O exemplo dos Beatles

Quando os Beatles tocavam em Liverpool, só faziam sessões de uma hora e costumavam apresentar somente as melhores músicas em cada show. Quando foram convidados para tocar em uma boate em Hamburgo, eles viajaram cinco vezes entre 1960 e o final de 1962. Na primeira, tocaram 106 noites, cinco ou mais horas em cada uma delas. Na segunda vez, fizeram 92 shows. Na terceira, se apresentaram 48 vezes.

Os últimos espetáculos em Hamburgo, em novembro e dezembro de 62, envolveram mais de 90 horas de exibição. No total, tocaram 270 noites em um ano e meio. Na época em que começaram a estourar, em 1964, já haviam se apresentado ao vivo cerca de 1200 vezes. Para se ter uma idéia de quanto isso significa, a maioria das bandas atuais não toca 1200 vezes nem durante toda a carreira.

A prova de Hamburgo foi o que fez com que os Beatles se destacassem dos demais grupos de rock. Eles não aprenderam apenas a ter resistência, mas também uma quantidade imensa de números, versões cover de tudo, até um pouco de jazz. Eles não eram disciplinados no palco antes daquilo. No entanto, estavam tocando de forma incomparável quando voltaram a Liverpool. E os Beatles não recuaram horrorizados quando souberam que teriam que tocar por oito horas por noite, sete noites por semana, ou seja, mais de 10 mil horas. Ao contrário, se empolgaram. O trabalho árduo só representa uma sentença de prisão quando não se tem um objetivo claro e significativo.

O exemplo de Bill Gates

"Quem está no alto não apenas se dedica mais do que os outros, dedica-se muito mais..."

Na escola onde Bill Gates estudava em 1968, o clube de informática investiu 3 mil dólares num computador ultramoderno à época. Foi quando ele começou a programar em tempo compartilhado, e não pelo sistema trabalhoso dos cartões perfurados. Daquele momento em diante, Gates passou a viver numa sala de computador. Quando o dinheiro da escola acabou, Gates e seus amigos encontraram uma empresa que ofereceu tempo de programação grátis nos fins de semana, mas em troca eles teriam que testar programas de software da empresa. Depois da aula, ele ia para a empresa e ficava elaborando programas até altas horas da noite.

Depois que a empresa faliu, eles descobriram a ISI, uma empresa que também concordou em oferecer tempo de computador grátis, mas nesse caso eles teriam que desenvolver um software de automatização de folha de pagamento. Num período de sete meses em 1971, Gates e seus colegas acumularam 1575 horas de computador no mainframe da ISI, uma média de oito horas por dia, sete dias por semana.

Depois da falência da ISI, eles foram para a Universidade de Washington. O computador ficava ligado 24 horas. Com um período ocioso entre três e seis da manhã, Gates saía escondido à noite de casa, depois de já ter ido para a cama. Anos depois, a mãe dele disse: "Sempre estranhamos por que era tão difícil para Bill se levantar de manhã".

Uma empresa de tecnologia assinou um contrato para criar um sistema de computadores para uma enorme usina de energia e precisavam desesperadamente de programadores. Indicado pelo exsócio da ISI, Gates - agora no último ano do segundo grau - conseguiu convencer seus professores a deixá-lo trabalhar sob o pretexto de realizar um projeto de estudo independente.

E o que todas essas oportunidades tiveram em comum? Elas deram a Bill Gates tempo extra para praticar. Quando deixou Harvard após o segundo ano para criar sua própria empresa de software, Bill Gates vinha programando sem parar por sete anos consecutivos e havia ultrapassado 10 mil horas de programação. Pergunto: Quantos adolescentes você acha que tiveram e aproveitaram esse mesmo tipo de preparo?

A conclusão

Na realidade, os pesquisadores chegaram ao que acreditam ser o número que revela a verdadeira excelência: 10 mil horas. Eles dizem que são necessárias 10 mil horas de prática para se atingir o grau de habilidade pertinente a um expert fora do comum em qualquer atividade.

Estudo após outro, esse número sempre ressurge. Dez mil horas equivalem a cerca de três horas por dia (ou 20 horas por semana) de treinamento durante 10 anos. É claro que isso não explica porque alguns indivíduos se beneficiam de suas sessões de preparação mais do que outros. Mas ninguém encontrou ainda um caso em que a excelência de nível extraordinário tenha sido alcançada em um prazo menor. Parece que o cérebro precisa desse tempo para assimilar tudo o que é necessário para atingir a verdadeira habilidade. Mas o que de fato distingue as histórias dessas pessoas não é o seu talento fantástico, e sim a forma que agarraram essas oportunidades extraordinárias que tiveram.

Os Beatles receberam convite para tocar em Hamburgo e, sem essa experiência, a banda poderia perfeitamente ter tomado outro rumo. Bill Gates entende a sorte que teve por estar estudando naquela determinada escola em 1968. Essas duas histórias foram favorecidas por alguma oportunidade incomum: golpes de sorte e muito preparo não costumam ser exceção entre bilionários de sucesso. Pelo contrário, parecem constituir a regra.

Um abraço e até a próxima!

 

 

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